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19.Abr Tendências

O Virtual é Real

"A Internet afasta as pessoas do convivio 'real' dentro da sociedade."

Talvez um dos absurdos mais repetitivamente bradados nestes ultimos anos, esse pensamento é fruto de um livro do cientista político americano Robert David Putnam, publicado em 1995, onde o autor aponta um suposto declínio no Capital Social dos EUA na última metade do século XX, tendo a internet dentre os fatores de aceleração deste processo nos anos 90.

Essa teoria virou senso comum, e me cansei de ver verdadeiras pregações sobre os "males sociais" provocados pela internet. Sinto dizer a todos os fiéis deste credo que a realidade tem somente provado o contrário. Na revista Superinteressante de fevereiro/2011, uma ótima matéria sobre amizade apresenta uma pesquisa da Universidade da Califórnia, na qual descobriu-se que os efeitos biológicos são similares nas relações virtuais e reais. Na mesma matéria é citada uma outra pesquisa, da Universidade de Toronto, que aponta um crescimento no número de amigos reais dos internautas, principalmente entre os heavy users.

É fácil encontrar casos mais incisivos que contradizem a suposição de Putnam: a onda de revoluções políticas que ocorrem no norte da África, oriente médio e península arábica, por exemplo. Apesar de a maioria das mídias tradicionais retratarem os acontecimentos sem dar o devido crédito para o fator de agrupamento social permitido pela internet, as midias especializadas em tecnologia tem chamado esses acontecimentos políticos de Facebook-led Revolution ("Revolução feita através do Facebook", em tradução livre e literal).

Os países envolvidos nessas "revoluções" tem uma característica em comum: metade da população tem menos de 30 anos, e 56% destes tem acesso diário à internet. Durante o calor dos fatos, os governos em ameaça impediram o acesso da população à internet. Não à televisão, não ao rádio. Somente à internet (e à telefonia, pra não dizerem que esqueci de citar).

Abrandando a discussão e deixando-a mais prazeirosa (e menos moralmente aceita), uma matéria da revista Superinteressante de março/2011 trouxe um fato interessantíssimo. Uma pesquisa da Universidade de Columbia, realizada em Nova York, constatou que em 2003 83% das prostitutas da cidade encontravam clientes na rua, em bares ou com cafetões. Em 2008, esse número caiu para 57%, enquanto houve um aumento na utlização de mídias online para conseguir clientes. Também segundo essa matéria, o Facebook vai ser tornar o maior site de prostituição do mundo em 2012.

Mas calma! Nem só para derrubar governos e conseguir sexo serve a internet. A magnitude do potencial socializador da web ainda aparece turva quando olhamos para o horizonte da revolução tecnológica que vivemos. O fato é que ainda é impossível ter certeza sobre o que vai acontecer, e afirmações como a de Putnam não passam de oportunismo acadêmico.

Para deixar você pensando sobre o que poderá acontecer daqui para frente, sugiro que assista o documentário Us Now, que apresenta diversas mudanças sociais e políticas trazidas pela internet nos Estados Unidos.

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